sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Epá, nunca tinha pensado nisso

A compilação açoriana de gralhas e incorrecções linguísticas, também conhecida por Correio dos Açores, traz hoje uma daquelas manchetes que só estão ao alcance das mais supremas figuras do Olimpo: “Falta de dinheiro cria pobreza nas famílias dos Açores”. É que eu era capaz de jurar que a pobreza era causada pela leitura… do Correio dos Açores. Ah, eles não se estavam a referir à pobreza de espírito.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Proteccionismo económico

Professores, alunos, encarregados de educação e derivados estão contra a redução das férias da Páscoa para 5 dias úteis, estando mesmo a circular um abaixo-assinado contra a medida. O Secretário Regional da Educação já reagiu, dizendo que férias mais longas colocariam em perigo a estabilidade financeira dos dealers que atacam nas redondezas das escolas.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Da influência dos arrotos na publicidade

Há, em toda a cultura ocidental, um certo estigma injustificado contra o arrotar em público. E eu não estou a falar de um arroto qualquer, estou a falar daqueles arrotos estereofónicos em Dolby 7.1 que fazem expelir ar acumulado por 2 orifícios corporais em simultâneo, ou seja, o sublime feito de arrotar e peidar ao mesmo tempo. Há igualmente aquele lugar-comum de se dizer que, nos países árabes, um sonoro e vibrante arroto é o melhor que se pode fazer depois de uma boa refeição, mas isso não me traz felicidade alguma, pois eu não habito paragens tão progressistas em termos de costumes (há, nesses países, aquela coisa dos castigos corporais, mas não me estraguem o argumento).

Alguns já estarão a dizer que só alguém muito desequilibrado como eu é que podia ter um pensamento como estes. Também eu diria o mesmo. O problema é que tenho o igualmente desequilibrado hábito de desejar “Bom Natal”, durante o ano inteiro, e agora vejo que há uma imobiliária que recorre a um Pai Natal, na sua publicidade, em pleno mês de Fevereiro.

AO, 24.02.08

E, como cúmulo do desequilíbrio, há um espaço de diversão nocturna que dá uma dimensão épica à coisa, colocando os Açores onde nem o mais vaidoso dos nossos governantes se atreveria.

CA, 24.02.08

O que me deixa intrigado, pois fico sem saber onde estes magos da publicidade colocariam os Açores caso vivêssemos num local onde os arrotos em público fossem sinónimo de boa educação.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Jogada de antecipação

Diz quem percebe da poda que, por estas horas e por estas bandas, é visível um eclipse total da lua. Os líderes dos partidos da oposição, nos Açores, já mandaram processar o responsável pelo alinhamento dos astros, por ele já estar a revelar o futuro dos ditos cujos mesmo antes das eleições de Outubro.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Um ano e um dia

Alguém, que possuiu um certo pudor em relação a caixas de comentários e que prefere reagir a alguns excreções da mente que por aqui deixo sob a forma de mails com pH inferior a 7, que é como quem diz, de ácidos mails, fez-me ver que deixei passar em claro o primeiro aniversário da fundação desde espaço de natureza eminentemente virtual.

Fala-me na propensão masculina para esquecer datas, o que logo lhe valeu uma repreensão sobre a tendência dela em relembrar essas coisas quando já é tarde. Retorquiu dizendo que esperou até à última que do meu aterro sanitário mental brotasse tal lembrança, mas eu tenho uma desculpa ainda melhor: o calendário que tenho na secretária ainda é de 2004.


PS – Para que tal não volto a acontecer já arranjei um calendário de 2007.

Oooops, parece-se que já estamos em 2008…

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Faltou-lhe um bocadinho assim

Carlos César ficou furibundo por ter sido eleito com apenas 99,6% dos votos nas eleições internas do PS-Açores. O presidente dos socialistas açorianos já ordenou que, em próximos actos eleitorais, haja brigadas com teste do balão e de despistagem de drogas à porta das secções de voto, pois é inadmissível que 0,4% dos militantes estivessem intoxicados a um pouco de não acertarem com a cruz no quadrado.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Dr. Love

Clamam umas quantas almas defuntas, que habitam corpos vivos, para que lhes elucide sobre as atenções que um homem deve ter para com a sua amada no dia do santo que superintende estas matérias e que hoje se celebra.

A minha receita é simples: sofisticação e requinte. Homem que cumpra estes requisitos presenteia a sua namorada pela manhã de forma anónima (neste dia, o telemóvel tem de ser mesmo um bibelot). E o que oferecer? Algo que tenha a ver com a electricidade. Evite-se, todavia, uma ficha macho-fêmea, pois é demasiado óbvio o seu significado, mas numa loja especializada em material eléctrico encontram-se verdadeiros afrodisíacos. Um disjuntor de 15 amperes? Uma campainha? Tudo opções bastante interessantes, porém permitem-me que recomende um interruptor que terá de ser devidamente acompanhado por uma dedicatória nonsense qb. Depois é colocar a oferenda numa caixa com o rótulo “Perigo de inundação ao abrir” e pedir a alguém que a entregue ao alvo.

Da parte da tarde há que cuidar da inundação ou da má disposição dela depois do acontecimento matinal. Para tal, dizem os especialistas que flores e chocolates fazem maravilhas, mas eu acho que encontrei os substitutos ideais: uma maçã e um pão (o mais fora do comum que encontrem, não se recorrendo, é claro, ao cacete). A maçã, tal como as flores, é um produto natural e o pão, na linha dos chocolates, tem um valor calórico respeitável. Uma prosa ou uns versos são novamente um must e a coisa deverá deixar transparecer o sentido bíblico destes elementos, devendo o invólucro ser rotulado da seguinte forma: “Flores e chocolates aprovados pela ASAE”.

E depois o jantar. Bem, aqui é que temos de dar a cara pelas nossas actividades diurnas. Para começar, temos de arranjar umas luzes ou velas eléctricas que sejam ligadas por um interruptor igual ao oferecido pela manhã. Seguidamente, coloquemos sobre a mesa uma maçã e um pão, alimentos que deverão ser repartidos pelos dois ao longo da refeição. Quanto ao resto da comida e à bebida, qualquer coisa de banal serve desde que seja servida nuns requintados copos e pratos de plástico. Os talheres, esses é que têm de ser da mais fina prata.

PS - Os mais aventureiros ou os que têm um certo fascínio pelo universo sado-maso podem ainda oferecer um rolo de massa durante o jantar, arriscando que ela faça uso dele ali mesmo.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Fasquia alta

Diz-se por aí que o PPM, o PND, o PDA e o Partido da Terra vão avançar com uma coligação para as próximas eleições regionais. Ou muito me engano, ou o objectivo desta coligação é ter mais do que 1% dos votos.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Haja saúde

Celebra-se hoje o dia da Internet segura. Para o comemorar, recomendo a todos os pais que ofereçam uma webcam às suas filhas. Garanto que é algo que faz muito bem à saúde, pelo menos, à minha saúde onanística.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

A fé de um presidente

"É uma posição semelhante à fé em relação à visão dos pastorinhos", ironizou Carlos César, ao afirmar que não presenciou "essas aparições" no arquipélago. (Público, 05.01.07)
No domínio das probabilidades, aqueles prisioneiros que lá estão [em Guatanamo] devem ter passado seguramente por algum aeroporto antes de lá chegar (...), podendo fazê-lo nos Açores ou no Continente. (AO, 09.02.08)

(clicando as coisas acima aumentam de tamanho)

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Da eficiência do comboio apitar à beira do mar

Extracto que ilustra um sublime momento lírico que os meus sentidos sorveram durante uma chamada para o callcenter do Bicho Verde ADSL.

Eu: Fui à loja da PT, como me indicou o seu colega, mas eles lá só têm os modems antigos. Disseram-me para ligar e para pedir que me enviassem um modem novo pelo correio.

Donzela reprodutora de frases pré-memorizadas: A que loja foi?

Eu: Ponta Delgada, nos Açores.

Donzela reprodutora de frases pré-memorizadas: Não pode ir a outra loja?

Eu: Na ilha onde vivo só há uma loja PT.

Donzela reprodutora de frases pré-memorizadas: O computador diz-me que, nos Açores, também há lojas PT em Angra do Heroísmo e na Horta.

Eu: Receio que comprar uma passagem aérea para os destinos exóticos que me mencionou vá fazer com que este processo de troca de modem fique um tudo-nada caro.

Donzela liberta-se das amarras e exclama a surpresa que invadiu a sua alma: Mas precisa de ir de avião?!?!

Eu: Infelizmente. Sabe, é que o comboio está avariado e o autocarro tem um preço exorbitante.

Donzela, resignada, volta às frases pré-memorizadas: Então vou preencher já formulário e pedir que lhe mandam o modem por correio expresso.

O modem chegou dois dias depois.

Moral da história: Desconversar consegue manter uma certa carga insultuosa e ser uma nisquinha mais eficiente do que “Você estudou geografia portuguesa onde o Sócrates recebeu umas luzes sobre engenharia?

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Acima de brutal

Interrompemos a programação para mostrar algo acima de brutal ou how gentlemen settle their quarrels.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

O Carnaval é quando o homem quiser

Podia apresentar os disfarces que umas quantas pessoas usaram no dia de hoje, mas resolvi dedicar o meu tempo a uma só pessoa que – sejamos sinceros – tem feito por o merecer.
eu cortei muita cabeça (...) ficámos com sangue espalhado
Pedro Bicudo, Terra Nostra, 11.01.08
(via Máquina de Lavar)

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Finalmente!

Ando eu para aqui a narrar os delírios, alucinações, desvarios e desatinos que me passam pela cabeça e ainda não tinha sido insultado como deve ser. Uma tal de Raquel Soares deu por isso e resolveu por fim a esta injustiça. É verdade que tal já foi há quatro meses, mas também ela resolveu deixar as suas considerações numa posta de pescada que, na altura, já contava com seis meses de vida. Para que tal prosa não fique perdida pela morgue aqui do estaminé, dou o devido destaque ao que de sublime foi por lá dito, deixando de seguida os meus agradecimentos a cada frase.
logo se vê que vc é um bronco!
“Bronco” é aceitável como insulto, mas esperava algo de mais poderoso. Raquel Soares, força, você consegue!
falam-se das coisas quando se está por dentro delas!
Se eu fizesse isso, como é que ficava a extrema desonestidade intelectual que caracteriza esta lixeira? Imploro que me sugira outra coisa. Vá lá, por favor.
E PELOS VISTOS VC NÃO ESTÁ!
Amei estas maiúsculas. A agressividade que elas transmitem enche-me de pele de galinha. O que tenho de fazer para você ser sempre assim violenta comigo? Faço tudo e ainda lhe pago.

Respeitosos cumprimentos deste seu admirador.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

The wrong guys

O AO resolveu discorrer ontem sobre os divórcios que, nos Açores, atingem a taxa mais alta do país (tínhamos de ser primeiros em alguma coisa). Para iluminar a mente do(a) jornalista (já não me lembro do género da criatura), foi-se em busca dos ensinamentos de um advogado (também não me recordo de quem e ler o AO na net implica fazer despesa), de uma socióloga (a omnipresente Piedade Lalanda) e de um padre (João Maria Brum que, aqui há dias, fez ver a Teresa Nóbrega o que era o exibicionismo sexual).

Agora, parece-me deveras infeliz a escolha dos especialistas para opinar sobre o assunto em apreço. Se vamos abordar a temática de uma forma séria e rigorosa, temos que ouvir um contabilista, para saber se o divórcio traz ganhos ao nível do IRS (há quem diga que sim, mas as regras mudam todos os anos) e, claro, um agente imobiliário, para analisar as hipóteses de venda da casa. É que conheço quem já se divorciou há largos meses e continua a viver debaixo do mesmo tecto com o ex, pois a casa não se vende e apenas um deles não ganha uma quantidade suficiente de nobre metal para pagar o dízimo ao banco.