quinta-feira, 29 de março de 2007

Um quase seminal equilíbrio

Já estava há uns dias para falar desta novel publicação do panorama jornaleiro regional que dá pelo nome de Mensal Açores, mas ainda não tinha encontrado um conjunto de palavras suficientemente habilidoso para o fazer. E digo habilidoso, porque a directora da dita cuja foi minha colega em algumas cadeiras lá pela Universidade dos Açores, o que torna a minha missão muito mais espinhosa. Por outras palavras, como dissertar sobre este veículo de informação sem correr o risco de ser selvaticamente agredido quando me voltar a cruzar com a respectiva directora? É óbvio que corro este mesmo risco sempre que expresso os meus delírios sobre outros pasquins e coisas afins cá do burgo, mas como os directores não me conhecem, é pouco provável que me agridem logo à primeira, o que me dará algum tempo para fugir. Agora, falar sobre o Mensal Açores – o seu único jornal gratuito – coloca-me imediatamente debaixo de umas quantas miras telescópicas. Estarei seguro em casa? Ou isto será o fim desta lixeira?

Peguemos, então, na edição de Março de 2007 e detenhamo-nos na primeira página (não é preciso ir mais além). A primeira referência no topo desta é a já referida divisa “o seu único jornal gratuito”, o que revela uma grande falta de criatividade dos responsáveis deste jornal. Então, nunca foram a um local público onde há os jornais do dia e, por manifesto lapso, levaram um ou outro exemplar consigo? Acontece-me amiúde, sendo que só me costumo a aperceber da ocorrência uns dias depois, quando já não faz sentido os devolver, pelo que não percebo esta de ser o único jornal gratuito.


Mas deixemos de lado este pormaior da divisa e centremo-nos nas notícias, reportagens e demais coisas que são dignas de chamada à primeira página. Em manchete, temos a grande reportagem sobre o centro de acolhimento dos repatriados, estando a mesma rodeada por uma notícia sobre o ordenado do presidente da SATA e pelo destaque sobre um suplemento que mais parece uma publireportagem. Todavia, tudo isto é remetido a um canto por duas chamadas seminais (e seminal aqui tanto pode ser entendido no seu sentido metafórico, como poderia sê-lo no sentido literal). Uma delas diz respeito a um artigo com o título reconhecidamente roubado a Alexandre O'Neill “Nasci português. Fui enganado!”, chamada esta que deve ter deixado em pânico quem fez as escolha dos destaques para esta edição. Senão vejamos. Só a escolha de título logo transforma o artigo em algo de invulgar, só podendo as respectivas ideias terem sido fruto de uma iluminação na cabeça do seu autor vivida num daqueles raros momentos de epifania e de plena comunhão com o transcendente. Ora, tornava-se imperioso equilibrar esta chamada com uma outra sobre algo que, de tão banal que é, já nem constitui propriamente notícia. E a escolha não podia ter sido melhor: “Paris Hilton nua no seu aniversário”.



Agora é de um mau gosto e de uma falta de rigor jornalístico tremendos colocarem uma foto da menina em trajes menores... quando, pela Internet, o que não faltam são fotos dela nua!

terça-feira, 27 de março de 2007

Está tudo explicado

No passado Domingo, voltei a ler o folheto de promocionais do hiper, que é como quem diz, voltei a ler o Correio dos Açores. Depois de um Boeing 767 a 80 e poucos euros, qual seria o promocional desta semana? Como devem calcular, comecei a salivar quando vi mais uma “notícia” que envolvia Abramovich, sedento que estava em poder adquirir mais alguma pechincha. Acabei por não comprar nada, mas descobri a razão do divórcio do dito senhor:

Se aquilo é a ex-mulher que está na foto ao centro, então de certeza que o motivo do divórcio não foi o facto de Abramovich ter arranjado outra mais nova.

sábado, 24 de março de 2007

Resposta à vizinha

Ouve por aí alguém que me mostrou um bilhete que uma vizinha lhe colocou debaixo da porta. A parte mais imunda do meu aterro sanitário mental saiu-se com esta resposta ao dito bilhete:

Minha cara vizinha,

Acuso a recepção do V. digníssimo bilhete e reconheço que um ou outro ruído lhe possa ter causado algum desconforto, mas julgo que a exposição que se segue lhe deixará muito mais tranquila, permitindo-lhe desfrutar em pleno do seu sono.

Em primeiro lugar, tenho de lhe informar que os pés de todas as minhas cadeiras, mesas e demais objectos que se possam mover estão devidamente protegidos por feltros. E não pense que são uns feltros quaisquer. Aquilo é pêlo de cabrito mal morto com massa adesiva em borracha natural. Agora, há barulhos que infelizmente são impossíveis de evitar.

Devo-lhe informar que o meu mui humilde apartamento é a sede da delegação regional da Associação Espírita Portuguesa e lá realizamos alguns eventos que podem provocar algum ruído. Ora, veja a descrição de uma das últimas sessões. Eram umas três da tarde, um sol brilhante inundava o apartamento (nem tudo é feito às escuras) e os primeiros uivos saíam da boca do Belzebu de serviço. Comecei a deglutir umas sardinhas acompanhadas de leite de cabra fresco (não bebo só vinho de cheiro), enquanto algumas mesas e cadeiras levitavam. Como a corrente de aço inox não era muito forte, por vezes, as mesas e cadeiras vinham ao chão, provocando alguns estrondos que podem ter incomodado a vizinhança.

É bem verdade que podia ter terminado logo ali a sessão, mas o sol batia-me de frente, impedindo-me de identificar a criatura que fazia de Satanás e que sangrava abundantemente do dedo mindinho do pé esquerdo. Quando o leite se acabava, ouviu-se então o proclamar da frase que a tudo deu sentido: “Eu sou Mefistófeles na Terra e vou-te escrever um bilhete a protestar pela barulheira que aqui se passa. Responde-me a este bilhete com o sangue que aqui deixo!”

E pronto, aqui tem a sua resposta. Podia escrever mais qualquer coisa, mas já tenho as mãos demasiado sujas de sangue.

A vizinha.

quinta-feira, 22 de março de 2007

Consagração nacional

Pronto, arruina-se aqui qualquer réstia de integridade mental que ainda poderiam reconhecer ao autor destas linhas. Por mais que diga, não vão acreditar, pelo que é melhor ir directo ao assunto: eu lancei um olhar de relance sobre o último número da – Ai, meu Deus! – da Nova Gente. Agora vem a parte mais dolorosa, achei algum interesse às páginas 26 e 27.

A propósito de um artigo sobre a passagem por S. Miguel do director da maior pocilga televisiva portuguesa (também conhecida por TVI), o rolo de papel higiénico por onde passei os olhos resolveu indagar um pouco mais sobre a infância desta criatura que infelizmente nasceu pela ilha do arcanjo. Foi encontrada uma pessoa que, sobre o espécimen em apareço, disse coisas como “Ele era um excelente aluno, muito aplicado e amigo do seu amigo” ou “Vejo o sucesso dele com grande orgulho”. Foi a consagração nacional da antiga colega de escola de José Eduardo Moniz, uma tal de Berta Cabral.

terça-feira, 20 de março de 2007

Já encomendei um

Admito que não será a minha prática mais comum, até porque a página internacional da publicação em questão não será nenhuma referência. Mas tratando-se deste tipo de notícia, julgo que a leitura do Correio dos Açores é mais do que suficiente para me encher as medidas – e se as encheu! Estava eu, então, descansado a ler sobre o divórcio de um tal de Abramovich (o tipo que permite a José Mourinho estar sempre a agitar a Árvore das Patacas) quando toda a minha existência foi abalada ao verificar o valor de um dos seus bens:

(Correio dos Açores, 18.03.07)


No meio de iates e palácios que valem milhões, finalmente descobriu-se onde Abramovich poupa, para depois poder comprar todos os jogadores que Mourinho lhe pede. (Ainda coloquei a hipótese de ser um aviãozito em miniatura, mas rapidamente descobri que o bichinho em questão é este.) Ao saber do preço que custa o avião, é óbvio que enviei logo uma mail à Boeing a encomendar um. Alguns vão-me alertar para os exorbitantes custos de manutenção de um animal como este, mas ao preço que as coisas estão, creio que umas 4 ou 5 viagens PDL-Lisboa saem mais caro do que a manutenção do meu 767.


PS – Saem mais caro, é como quem diz, pois basta ser-se “actor” de uma novela da TVI para as viagens saírem à borla.


domingo, 18 de março de 2007

Tortura

A última pagina do mais antigo jornal português costuma a ser pródiga na denúncia dos mais graves atentados às regras de boa convivência em sociedade. Uma destas regras é naturalmente o respeito pelos direitos dos animais (há mesmo aquela frase de não sei quem que fica sempre bem citar nestas ocasiões: "O grau de evolução de uma sociedade pode ser avaliado pelo modo como essa sociedade trata as suas crianças, os seus idosos e os seus animais.").

A edição da passada Quinta-feira do Açoriano Oriental não fugiu à regra, tendo a todos exposto uma situação bárbara que deve merecer uma resposta impiedosa das autoridades. A boa alimentação é um direito fundamental de todos os animais, pelo que louvo a preocupação não só de se colocar alimentos junto do animal, mas sobretudo de levar o dito cujo directamente à boca do suíno. Agora, é uma atroz violação do direito à boa audição pôr-se uvas nas orelhas do porco.


(clicanco fica mais maior grande)

sexta-feira, 16 de março de 2007

Onde me inscrevo?

Março 16 e 17 - Morangos com Açucar - Encerramento da digressão nacional do musical Ao Ritmo da Amizade no Coliseu Micaelense
Julgo que posso dar resposta aos anseios de todos sobre este evento e, para tal, apenas preciso de saber uma coisa: onde me inscrevo na Al-Qaeda?

quarta-feira, 14 de março de 2007

Consequências

Apesar de ter havido quem discordasse, em parte, do que eu disse, creio que a passagem abaixo é ilustrativa dos gravíssimos danos resultantes da exposição a esta coisa a que se chama “novela da TVI”:
no melhor que se faz em ficção televisiva em Portugal, através de um dos melhores canais nacionais e no seu prime time
Carlos César (GaCS)

segunda-feira, 12 de março de 2007

Dia de amigos - parte 2

Enquanto César & Companhia se entretinham com as virtudes do putedo contratado, nas catacumbas do poder “laranjinha” açoriano, acertava-se os últimos pormaiores de um plano diabólico congeminado por alguém que suspeitava que tramas de superior importância estariam a ser urdidas nesta noite sagrada (isto já parece um discurso de Ana Gomes). Estou a falar de Berta Cabral, que há muito que estava com a pulga atrás da orelha, no tocante a este ajuntamento tão peculiar de figurões do panorama político regional. Bertinha desconfiava que lá se estivesse a preparar mais um infame ataque ao seu buraco de estimação (também conhecido por parque de estacionamento do largo do teatro), por isso convocou para este local secreto Costa Neves, bem como a defensora mor, nos Açores, do “não” no referendo e, nas horas vagas, chefe de gabinete da própria presidenta da CMPDL (também conhecida por Carmo Rodeia).

A este trio maravilha, que nada fica a dever a um trio de comentadores de um programa desportivo, juntou-se alguém cuja presença é, no mínimo, intrigante – Aníbal Pires, líder do PCP-Açores. O segundo comuna açoriano menos desconhecido (o primeiro é Deck Mota) era convidado de Costa Neves que, assim, quis mostrar a Bertinha que ele ainda é o líder do partido. Apesar desta manifestação de força, o maior especialista açoriano em questões de oxigénio, e presidente do PSD-Açores nas horas vagas, logo justificou que o convite se deveu às recentes declarações de Aníbal Pires sobre a asfixia que se sente na sociedade açoriana, que, em muito, o aproximavam do oxigenado “pensamento” político de Costa Neves. Já estou a divagar em demasia, mas digamos que um líder comuna falar em asfixia é um daqueles momentos que encerra uma beleza transcendente que só encontra paralelo, para aí, na Roménia de Ceausescu. Estou a mentir, na Roménia de Ceausescu respirava-se fundo. Quer dizer, ou se respirava fundo ou se levava um tiro na cabeça, o que facilitava em muito a opção. (O hipotético leitor deve de estar a pensar sobre escolha de Ceausescu e não de um qualquer outro comuna. É simples. Este teve uma morte digna – levou para cima de 100 tiros!)

Depois de toda esta conversa de encher chouriço, é tempo de expor o magistral plano vindo directamente das mais profundas entranhas cerebrais da dama de aço inox que preside aos destinos da CMPDL. Bertinha começou por congratular-se com a presença de mais um comuna, pois o líder do partido podia não dar conta do recado sozinho: “Portanto, Carlinhos [Costa Neves], tu e o comuna oficial vão seduzir as meninas que o César contratou.”

“Mas, ó chefa” – interrompeu a outra. “Eu não quero duvidar das capacidades destes dois (apesar daquele do PCP ser a favor do “sim”), mas não achas que eles eventualmente podem não vir a conseguir os nossos intentos?”

Era uma possibilidade bastante forte, mas Bertinha logo tranquilizou a sua subordinada. “Está descansada, minha fiel chefe de gabinete. Como bons comunas, estes dois herdaram aquele gene do Jerónimo que vai fazer com que as respectivas capacidades de dança sejam suficientes, para as meninas lhes caírem aos pés – eu pelo menos cairia!”

“E nós as duas, o que fazemos?” – perguntou a defensora mor do ”não”.

Antes de expor a parte mais íntima do seu plano, Bertinha mandou os cavalheiros irem à vida – que é como quem diz, irem à sua missão –, para depois segredar ao ouvido da sua companheira da noite: “Estás a ver aqueles espampanantes trajes menores? Nós vamos lá com aquelas vestes e passamos por strippers.”

“O quê???” – interrompeu a chefe de gabinete em estado de choque. “Como é que uma defensora da moral, dos bons costumes, da vida e de coisas afins vai dar uma de stripper? Pede-me tudo, menos isso!”

“Tem calma, minha cara perfeita. Estas vestes são mais disfarces de Carnaval, com máscara e tudo, e nós nem vamos dançar, quando mais nos despirmos” – tranquilizou Bertinha. “Apenas vamos lá falar com aqueles fedelhos do governo, para saber o que eles estão a tramar, enquanto lhes vamos pedindo para nos pagarem mais uma bebidinha.”

“Bem, assim está bem. E o melhor é irmos andado, porque já se faz tarde” – atalhou a colega de Bertinha por uma noite.

Disfarçados de seguranças lá do tasco, a dupla de comunas já estava a dar asas a todo o seu repertório de frases de engate – qual delas a pior! – quando, em desespero de causa, recorreram à sua arma secreta – uma sensual dança de inspiração jeroniana. Tal como Bertinha havia previsto, as meninas caíram-lhes aos pés... num momento verdadeiramente ROFL – Rolling on the Floor Laughing.

Enquanto as strippers se urinavam de tanto rir com as capacidades de dança da dupla Neves & Pires, Bertinha e Carmo faziam uma entrada de arromba que deixou César & Companhia de queixo caído. Estava dado o mote para uma noite inesquecível, não fosse um pequeno percalço. Ainda esta dupla não se havia sentado com os machões, para lhes extorquir as suas preciosas informações e outras coisas mais, quando, ao se curvarem para agradecer uma estrondosa salva de palmas, caiu-lhes a máscara, desvelando-lhes o rosto e as verdadeiras identidades.

Já Bertinha e Carmo fugiam para bem longe, quando César soltou um grito de lamentação: “Minhas ricas brasileiras e violas! Nunca mais confio em uruguaias e argentinas!”

“Ó chefe, esquece estas duas e vamos mas é à casa aqui ao lado, porque o desejo é mais forte do que a razão” – suplicou Duarte, o dos barcos.

“Nem pensar nisso! Temos de nos vingar e é para já! Por isso, acalmem as hormonas, porque temos que acabar, ainda esta noite, com o buraco da Bertinha” – disse César enquanto tentava disfarçar o que nele se havido alterado com a entrada em cena da mais inusitada dupla de strippers de que há memória.

“Aquele orifício não respeita as mais elementares regras do bom gosto estético, representando uma clara violação da traça arquitectónica, quando atentamos nos edifícios envolventes ao dito cujo. Creio estarem reunidas, então, razões de facto e de direito, para uma vez mais embargarmos tal obra. O que acha da minha singela proposta, meu caro presidente?” – indagou o dos assuntos culturais.

“Deixa-te de legalismos, porque, como diria o Ferro Rodrigues, a coisa tem e ser resolvida ao coice e ao pontapé e eu 'tou-me gagando para os legalismos."

“Já sei!” – interrompeu Duarte o chefe. “Pegamos naquele barco novo, com mais de trinta anos, que vai tentar fazer viagens inter-ilhas, e arranjamos maneira de o fazer encalhar lá no buraco.”

“Não exageres!” – logo ripostou César. “Se um barco teu encalha ali, de lá nunca mais sai e depois dá má imagem ao nosso teatro. Temos é de arranjar algo que transforme aquilo num verdadeiro ground zero. Sérginho, trouxeste aquilo que eu te pedi da Terceira?”

“É óbvio que trouxe!” – disse o número dois enquanto um brilho rosa fluorescente se apoderou dos seus olhos.

Sem saberem qual havia sido o pedido de César, os outros membros do governo ainda sonhavam com lap dances e privados, enquanto se dirigiam até ao buraco de Bertinha. Lá chegados, depararam-se com uma carrinha que continha as preciosidades vindas directamente da Terceira. Sérginho não cabia em si de contente e foi já em êxtase que disse a César: “Aqui tens três pastorinhos, perdão, prisioneiros da CIA vindos directamente das aparições das Lajes.”

E que belos espécimens eram eles. Eram mesmo indicados para a missão que agora tinham pela frente. Ao recalcarem durante os últimos anos a sua natural vocação... para activarem detonadores de bombas, estes três mal podiam esperar que lhes tirassem as correntes e, logo, arrasarem a grande obra da Bertinha. O entusiasmo dos membros do governo era tanto que – qual mirones – não resistiram a se aproximar demais do evento, o que ia tendo consequências trágicas.

Com o traseiro em chamas – quais personagens saídas de um cartoon Looney Tunes – César & Companhia correm como se não houvesse amanhã – e, com o traseiro a arder daquela forma, poderia mesmo não haver; enquanto descem em direcção à avenida, lançam um grito desalmado que ecoa nas paredes do Hotel Avenida e do CC Sol-Mar, partindo alguns vidros; saltam por cima de alguns carros ao atravessarem a avenida; lançam-se, por fim, ao mar. Ficando presos numas pedras do buraco do próprio César (também conhecido por Portas do Mar), o que se ouviu a seguir não lembrava ao diabo:

“Maldita hora em que decidi fazer este buraco! A água aqui tão perto e eu não consigo lá chegar!” – lamentaram-se César e restantes comparsas.

No entanto, como estamos nos Açores, não tardou que uma valente carga de água se abatesse sobre PDL, apagando quaisquer vestígios de fogo. Com tantas peripécias, César & Companhia decidiram tirar uns dias de férias e ficar por ali mesmo a contemplar o respectivo buraco, que está a crescer a olhos vistos, tendo tudo isto acabado por dar azo a que, uns dias depois, esta fosse a capa do Açoriano Oriental:


(clicanco fica mais maior grande)

sábado, 10 de março de 2007

Faculdades mentais em perigo

Como se evita infernizar todos aqueles com quem se troca alguma palavra num dia em que se acorda com os pés de fora? Consulta-se a agenda do governo regional disponível no respectivo gabinete de propaganda (GaCS). Ficamos logo bem-dispostos com a capacidade criativa dos nossos governantes, para descortinarem eventos onde podem ir demonstrar que – afinal de contas – sempre fazem alguma coisa.

Estava eu, então, a recorrer a este antídoto quando, ao consultar a agenda para a próxima Terça-feira, um inusitada dose de estupefacção se apoderou de mim. Não é que Carlos César vai participar não num, mas em dois eventos que podem trazer gravíssimas mazelas para as suas faculdades mentais:

18H00 - Apresentação ao presidente do Governo da novela da TVI “Ilha dos Amores” (...)

20H00 - O presidente do Governo participa no jantar de apresentação pública da novela da TVI “Ilha dos Amores”.

quinta-feira, 8 de março de 2007

Não resulta

Voltei ao local do crime, que é como quem diz, voltei ao blogue que foi vítima da minha última tentativa de assassinato. Desta feita, o trabalho que me esperava era substancialmente mais árduo, pois obrigar-me-ia a recorrer a todos os meus dotes de cientista que supostamente aprendi quando tirei o meu curso de meteorologista amador nessa instituição de referência que dá pelo nome de Universidade Independente – instituição de referência... no mundo criminal.

Enquanto alguém que ainda quer continuar a acreditar que o Homem já ultrapassou aquele estágio em que mais se parecia com um tal de macaco, logo tive que reunir uma equipa multidisciplinar que possibilitasse uma abordagem holística ao fenómeno descrito aqui. Pedi, então, a uma amiga minha para lançar este bruxedo sobre uma terceira pessoa em que ela estivesse interessada, pois eu não podia participar directamente na experiência. Não é que eu acredite em nada disso, é só porque a minha amiga jamais poderia estar interessada numa criatura extraterrestre como eu.

Ela seguiu religiosamente as indicações prescritas no blogue aqui ao lado e lá guardou o frasco num sítio ultra secreto. Pensando que a cozedura já estava a fazer efeito, o elemento feminino desta experiência conseguiu atrair, para a sua casa, o elemento masculino e – qual mulher moderna – ofereceu-lhe para jantar “charros” com molho vilão. Estavam os dois a deglutir esta iguaria, quando o único elemento pré-histórico desta experimentação – um tal de telemóvel – tocou, afastando da mesa a fêmea. O macho notou, então, que faltava algo àquele jantar, para o tornar verdadeiramente... igual a tantos outros. Pôs-se em busca e lá encontrou o frasco com a miscelânea que a fêmea havia preparado, o que lhe trouxe um brilho único aos olhos. As cuecas e a foto haviam-se dissolvido numa pasta branca que mais parecia aquele bolor que dá um gosto único a qualquer iguaria; a sujidade das cuecas havia dado uma tonalidade bordeaux ao álcool; a cebola era o último pitéu que faltava para elevar este repasto à categoria de manjar dos deuses – cebolas em curtume.

Pouco depois de ter lançado a cebola à boca, o macho viu-se forçado a mandar uma valente escarrada para o chão. Estava ele ainda a analisar a textura do que lhe havia saído da boca, quando a fêmea chegou e se deparou com este cenário apocalíptico, tendo o macho logo lhe dito:

"Onde é que comprastes estes ‘charros’? É que as espinhas são de ferro."

terça-feira, 6 de março de 2007

Medo

Não sei bem como, mas dei comigo a ler esta notícia no site da Câmara do Nordeste, tendo o parágrafo inicial sido suficiente para me deixar em pânico:
A Câmara do Nordeste pretende reduzir drasticamente a quantidade de “lixo” que vai parar ao Aterro Sanitário do concelho, colocando ecopontos familiares em todas as casas do município.
Se isto se alastra a outros concelhos, esta lixeira tem os dias contados. MEDO!

sexta-feira, 2 de março de 2007

Dia de amigos - parte 1

O leitor mais atento (com este adjectivo já nem posso contar com o meu cão) não avançou para além do título deste resíduo altamente tóxico: “Então, este tipo vai-me falar do dia de amigos mais de uma semana depois do Carnaval?” Pois vou, porque isto é algo que anda a ocupar demasiado espaço no meu aterro e não está de todo putrefacto. É óbvio que o cheiro que esta lixeira começa a libertar poderá chamar a atenção de uma qualquer autoridade disposta a mostrar serviço, mas creio que o dito cujo ainda não será nauseabundo o suficiente para chegar às narinas de alguém das Quercus. Quando muito, Teófilo Braga dos Amigos dos Açores pode vir a manifestar-se, pois está mais perto e é rapaz para se sentir incomodado.

Estava eu, então, a observar coisas sobre as quais não vou falar por aqui, para não ferir a susceptibilidade do leitor mais sensível (sim, o meu cão é muito sensível), quando o único neurónio que ainda tenho activo fez despertar em mim uma pergunta que nem interessaria ao Menino Jesus: “Como será o dia de amigos de Carlos César e restantes membros do governo?” Tratando-se de mais um delírio, é natural que fui revolver o que de mais profundo há no meu aterro sanitário mental, logo o que se segue não será particularmente bonito (pelo menos, para algumas pessoas).

Num qualquer buraco de PDL que passa por casa de especialidades exóticas, já se acantonavam os diversos membros do governo que não queriam perder mais este festim saído directamente do orçamento regional. Lá estavam Sérginho Ávila, o vice, Mestre (de obras) José Contente, Duarte “Barcos Encalhados” Ponte e um outro membro do governo que ninguém conhece, mas que até vai ter aqui alguma importância – Vasco Costa, Director Regional dos Assuntos Culturais (vejam só a subtileza de se dizer que nos Açores não há cultura, mas assuntos que podem ter alguma coisa a ver com a cultura*). Este quarteto já desesperava com o atraso de César, que estava para chegar da Argentina, e como a fome apertava, Duarte – o dos barcos, mas que também faz que entende de aviões – ligou para o motorista de César que o aguardava no aeroporto. Prontamente foi informado de que o avião da Argentina havia chegado atrasado a Lisboa, mas que o avião da SATA também tinha sido propositadamente atrasado, para que César pudesse chegar a PDL a tempo de comemorar este dia único. (Isto de atrasar um avião da SATA, para que um membro do governo o apanhe, é algo que nunca aconteceu e não passa de uma fantasia minha... ou talvez não!)


Quando alguns dos presentes já pensavam em se escapulir até um dos vários locais de peregrinação de PDL, para fazer cumprir a principal tradição do dia, eis que, envolto em nevoeiro, aparece D. César, o regressado das margens do Rio da Prata. Como qualquer machão que queira fazer jus ao nome, a primeira coisa que os compinchas de governo perguntaram a César foi: “Trouxeste aquilo?” E a resposta de César não tardou: “É claro que trouxe, mas primeiro vamos comer, porque a viagem deu-me fome e isso come-se cada vez pior nos aviões.”


Já se encaminha para o final o repasto quando Mestre Contente resolveu trazer para a mesa algo de particularmente indigesto: “Ó chefe, chegou lá àquelas bandas a notícia da dança do Casaca no Iraque?” César disse que tinha ouvido algo sobre o assunto, mas ainda não havia visto o vídeo fatal, pelo que o vice logo sacou do seu iPod de última geração, onde se viu isto:



César ficou furioso, pois a sua mente era constantemente bombardeada por estas perturbadoras imagens de Jerónimo de Sousa captadas em 1996:



“Vou matar aquele gajo!” – exclamou César num momento de incontida loucura.


O dos assuntos culturais logo tentou acalmar o chefão: “Bom, sob o ponto de vista meramente estético, não diria que se trata de uma dança que eleve a dignidade humana e aqueles saltinhos julgo serem uma manifestação um tanto ou quanto despropositada, tendo em conta o contexto e as circunstâncias envolventes. Mas daí a pedir, para o grande camarada Casaca, o mesmo destino de Saddam parece-me que é uma solução que se reveste de algum exagero.”


“Vocês não percebem! Acompanhem o meu raciocínio baseado na lógica da rama da batata doce. Desde a performance de Jerónimo que dançar pessimamente, em Portugal, ficou conotado com os comunas. Ora, se o Casaca dança mal, então é comuna. Se um membro do PS-Açores [Casaca] é comuna, então os outros também o são. Se somos todos comunas, então Costa Neves tem razão. É o fim!!!” – lamentava-se inconsolável o presidente.


Serginho logo tento consolar o patrão, com um daqueles planos que só alguém com a criatividade mórbida de um político consegue congeminar: “Fazemos uma super produção com o Casaca a dançar decentemente e colocámos o vídeo, à laia de podcast, no site do nosso gabinete de propaganda [também conhecido por Gabinete de apoio à Comunicação Social].”


“No GaCS, não!” – interrompeu César. “Tenho que manter aquilo num estado minimamente decente, para depois poder colocar lá ilegalmente a minha declaração sobre o aborto.”


A única coisa que mitigou o desconsolo do presidente foi o facto do grande acontecimento da noite estar para começar. E ia ser um espectáculo único, jamais visto nos Açores. Intrigado, o dos barcos e aviões perguntou: "Ó boss, mas tu não gostavas não era de brasileiras e violas? Porque é que trouxeste contigo estas strippers uruguaias e argententinas?”


“Temos que variar e isso das brasileiras já farta. Mas estivemos quase a ter que levar outra vez com paulistas, gaúchas ou lá o que elas se costumam a chamar a si próprias, porque o SEF não queria deixar entrar em Portugal as minhas acompanhes” – disse o comandante das tropas enquanto vangloriava o produto adquirido na sua última viagem.


“És mesmo totó!” – virou-se Serginho para César. “Bastava acorrentá-las e vesti-las um fato laranja com as letras CIA que o SEF até lhes estendia uma passadeira vermelha!”


To be continued...


*Sim, eu sei que a coisa, entretanto, mudou o nome para Direcção Regional da Cultura, mas não deixem que a verdade estrague uma história que talvez seja boa.

quinta-feira, 1 de março de 2007

Convite?

Por um daqueles inexplicáveis acasos da natureza, dei por mim a passar os olhos de relance (jamais diria que lia) pela revista Açores do passado Domingo (25/02/2007) quando tropecei nesta foto:


Trata-se de uma foto da participação da creche Gente de Palmo e Meio num desfile de Carnaval em PDL, em que é exibida uma faixa com a frase: “Vá pelos seus dedos até Gente de Palmo e Meio”. É só a minha mente perversa ou isto de meter dedos em gente de palmo e meio não será uma creche a convidar à pedofilia?