segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

Tentativa de assassinato

Comecei por recordar alguns episódios traumáticos (não os vou colocar aqui, porque são demasiadamente private joke – será que devia usar arranjar um termo em Português?) quando li isto num blogue aqui ao lado, onde já devia ter deixado algum comentário há mais tempo. Resolvi, então, cometer uma tentativa de assassinato da respectiva posta, um pouco como tentei fazer com o Vocabulário Social. Como texto de partida, peguei numa parte deste sketch dos Gato Fedorento, numa altura em que ainda passavam na SIC Radical.

Sugestões para encurtar os termos portugueses são bem-vindas!


So, Fonseca, I’ve asked you to come to this emergency meeting, because I’ve just received this report which indicates that we need to do a redução de tamanho.


But the revenue from mercadização has dropped that much?


Unfortunately, the situation is so bad that we even had to resort to cedência de créditos ao banco.


So, let me guess, the solution is to mandar outros produzir por nós.


Yep, this was the SGPS ’s decision. We’ve ordered a avaliação face à concorrência which indicated right away that we had to cut in our estratégias para influenciar o público. Can you imagine that we even had to buy cars in locação.


Can’t we do a aluguer?


Nope, it can’t be done, because our contract doesn’t allow any actualização.


And how about a solução de partilha de informação e serviços?


Nope, it can’t be done too. There’s no solution here besides resorting to mandar outros produzir por nós.


But this screws me up a bit; it leaves me in a difficult position, because I have to go to my department and make a fireing.


Fonseca, that’s the lifeing.

domingo, 25 de fevereiro de 2007

Carnaval

Estou para aqui a ver aquele programa cujo nome é um oximoro (Açores VIP) e não calculava que houvessem tantos homens a se exibirem para as câmaras com os vestidos que, nos outros dias do ano, só usam às escondidas.

Está-se a perder uma oportunidade histórica

O realojamento das famílias do lendário bairro da Cova da Moura (OK, não é tão lendário como o Caranguejo) em Rabo de Peixe padece de um erro que terá consequências gravíssimas no futuro dos Açores. Ora, tratam-se de famílias com um atributo único que não está, nem por sombras, a ser devidamente explorado. A título de exemplo, no Jornal da Tarde da RTP-A de 23/02/07, uma das pessoas que foi realojada disse que era mãe de 16 filhos. Perante este cenário, esperava-se que o governo regional aproveitasse este filão sem paralelo, o que está muito longe de acontecer.
dando continuidade ao projecto de realojamentos da Cova da Moura, “serão ainda realojadas na Rua da Misericórdia 16 famílias, 39 numa nova urbanização situada na Vila de Rabo de Peixe e outras cinco na freguesia da Ribeirinha”
José Contente (GaCS)
Deslocar para outra freguesia apenas 5 famílias, numa altura em que a maior parte dos Açores está a perder população, é pouquíssimo. Tinha de haver uma deslocação em massa destas famílias para outras paragens, onde poderiam disseminar pelos indígenas os seus bons hábitos reprodutivos... e tudo o que a eles costuma a vir associado.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

Apoquentação recorrente

Eu nem estava para colocar aqui este pedaço de lixo, pois já é um pouco antigo, daí que seja natural que isso comece a feder por aqui. No entanto, um comentário ao resíduo anterior, sobre duas distintas personalidades do mundo da bola, fez-me recordar algo que a minha pervertida mente concebeu há uns tempos atrás. Estávamos no início de Dezembro passado quando o conjunto de folhas – que alguns confundem com um livro – Eu, Carolina foi publicado, tendo logo aquela coisa que se encontra dentro do meu compartimento craniano (não, não é um cérebro) se entretido com uma provável apoquentação que o mesmo pode ter provocado nos Açores.

(clicando fica mais maior grande)


Notas de rodapé:
1 – Sim, as montagens continuam e vão continuar más.
2 – Não, a hipotética piada não tem nada a ver com “ser tratado abaixo de cão” e/ou viver em condições menos boas. Pensam um pouco em casotas de cães em PDL.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

Vocabulário Social

Há por aí uma jovem adulta (isto de dizer só “jovem” já está demasiado gasto) que veio poluir a caixa de comentários da posta de pescada de abertura desta lixeira. Ela faz parte de um grupo que insiste em usar Saltos Altíssimos, apesar dos graves riscos para a saúde que os mesmos podem provocar junto de qualquer um que tenha um fetiche por sapatos (não, não é particularmente o meu caso).

Eu logo retribuí a indevida poluição (não, eu não mandei um e-mail a pedir que conspurcassem as minhas caixas de comentários) e, enquanto deambulava por aquelas bandas, encontrei algo que me chamou a atenção: Vocabulário Social. Como devem calcular, a perversão da minha mente logo começou a trabalhar – é mais forte do que eu! Aqui ficam, então, as verdadeiras definições para tal vocabulário.

Revistas cor-de-rosa – Papel higiénico pouco absorvente.

Outras revistas – Objectos de culto... se tiverem gajas nuas. Se não tiverem, ver definição de Revistas cor-de-rosa.

Paparazzo – Espécimen ideal para se poder praticar tiro ao alvo com fogo real sem corrermos o risco de podermos vir a ser processados por homicídio.

Neve – Ideal para conservar o paparazzo, para uma nova sessão de treinos, sem dar mau cheiro.

Telemóvel – Pesado e robusto, no melhor estilo tijolo – ideal para se atirar à cabeça do árbitro quando se vai ver a bola.

Champanhe – Algo que nunca se deve pagar a uma stripper, pois cada taça custa para cima de 30 euros (pelo menos foi o que eu li no “livro” Eu, Carolina, porque como devem calcular, nunca foi a locais onde estas profissionais exibem os seus dotes de extorsão).

Estilista – Sinónimo de roto.

Estreia – ver inauguração.

Exposição de pintura – ver inauguração.

Inauguração – Só tem interesse se houver um cocktail decente... com vinho de cheiro, tremoço e amendoim.

Concerto – Vinho de cheiro, tremoço e amendoim são naturalmente obrigatórios. Um cantor pimba também, pois pode não haver um paparazzo para se praticar tiro ao alvo.

Páscoa – Amêndoas... são boas para a carteira dos dentistas.

Verão – Praia, gajas com pouca roupa.

Natal – Má onda. Temos que comprar presentes para os outros.

Carnaval – Dia em que lamentamos o facto de certas e determinadas pessoas não aparecerem na avenida marginal de PDL.

Ano Novo – Desculpa para mais uma cadela do caixão à cova.

Crianças – O quê? Mas o “sim” não ganhou o referendo?

Querido/Querida – Palavras utilizadas por quem não conhece aquela expressão mítica: “Ó cara perfeita, ‘tás bom?”

Conversar – Momento em que se comenta os atributos físicos de tudo o que use sais e não seja Escocês. Pontualmente, também se pode falar de futebol.

Cabeleireiro – Nem todos podem ser “estilistas”.

Rentrée – Internacional cambojano contratado pelo Santa Clara a custo zero, porque o Gestor 6000 deixou o clube na falência.

Festas – Churrascos, meretrizes e vinho verde.

Jet-set – Grupo de pessoas que devia ser mandado para a prisão com o rótulo de pedófilos/ violadores ou simplesmente “Colegas do Farfalha”.

Dondoca – Nome usado por algumas profissionais depois de “Carolina” ter ficado um bocado gasto.

Relações Públicas – Modo como os exibicionistas têm sexo.

VIP – Parte do nome de um programa da RTP-Açores. O nome completo (Açores VIP) é um oxímoro.

Socialite – Este precisa de tradução. Social = social – esta é a parte difícil. Agora, a parte fácil: lite = luz (pelo menos, é o que diz o meu dicionário adulterado Nigga English-Português). Portanto, faz-se luz na cabeça das pessoas que andam pelo social, ou seja, outro oxímoro.

Colunável – Mestre de obras especializado na construção de colunas.

Mediático – Eufemismo que resulta da junção de duas palavras, sendo usado para descrever a reacção do médico (“medi”) Luís Arruda quando, pela primeira vez, apanhou sabonetes na Boa Nova: “Orgasmático” (“ático”).

Figura Pública – Pessoa com quem se pode gozar sem corrermos o risco de meio mundo não perceber a piada.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2007

Coerência

Hesitei sobre qual deveria ser o primeiro dejecto a tirar do meu aterro sanitário mental, com o intuito de o aliviar, embora estive certo que iniciaria aqui uma série de postas de pescada de crítica política de cariz delirante. Foi então com isto na ideia que pensei em aqui colocar um produto da minha mente retorcida que versa sobre o Dia dos Amigos de Carlos César e restantes membros do Governo Regional, mas é um assunto pesado que fica para outra altura, pois envolve a viagem de César ao Uruguai e à Argentina, a dança de Paulo Casaca no Iraque, Costa Neves, Aníbal Pires (o líder do PCP-Açores, para quem não sabe), strippers uruguaias e argentinas, aviões da SATA, Berta Cabra, Carmo Rodeia (defensora do não ao aborto e, nas horas vagas, chefe de gabinete de Berta Cabral), os barcos do transporte marítimo de passageiros inter-ilhas, as obras do parque de estacionamento do Teatro Micaelense, os prisioneiros dos voos da CIA e as obras das Portas do Mar – sim, de tudo isto se falará no texto sobre o dia dos amigos. Como não me quis debruçar hoje sobre este verdadeiro cozido à portuguesa, pensei em algo mais leve, como a discriminação dos media nacionais a Carlos César, mas depois vi no meu aterro algo um pouco mais antigo que julgo ficar bem nesta lixeira.

Quinta-feira, 18 de Janeiro último, pouco depois das 13 horas. A hora da refeição é sagrada, mas há sempre quem insista em violentar este excelso momento de comunhão do Homem e dos restantes animais mais ou menos racionais (tenho que dizer isto aqui, para o meu cão não ficar ofendido) com o alimento do corpo. As intenções destas criaturas serão certamente as melhores, pois pensarão em complementar o alimento do corpo com o alimento da alma. O pequeno grande problema é que elas já terão vendido a sua alma àquele senhor que tem a respectiva testa mais enfeitada do que a da Hillary Clinton. Ora, isto faz com que o alimento da alma destes artistas seja assaz diferente do meu, logo estraga-me a refeição. Ao lerem estas linhas (isto é só uma hipótese académica), os magos destas artes desconhecidas já devem ter soltado um esgar de sorriso, enquanto pensavam: “Olha-me este, quer-nos convencer de que ainda não vendeu a alma ao diabo!” Pois não vendi... porque ainda não o encontrei.


Vem tudo isto a propósito da forma como foi iniciado o Jornal da Tarde da RTP-Açores do passado dia 18 de Janeiro:
Costa Neves comparou hoje a governação dos Açores aos regimes soviético e cubano. O líder do PSD-Açores sublinhou mesmo que Carlos César está tão agarrado ao poder que se arrisca a tornar num novo Fidel Castro. [Acho que o jornalista começou por dizer “Boa tarde”, mas isto não interessa aqui para o caso.]
Digamos que é uma observação pertinente de Costa Neves e que terá muito de verdadeiro. Só há um pequeníssimo pormenor que terá escapado ao líder laranjinha: isto por estas bandas, há uns anitos atrás, não era muito diferente. Depois há ainda aquela coisa chata a que se costuma dar o nome de curriculum vitae e que, no caso de Costa Breves (© Tia Maria do Nordeste), assinala uns largos anos de permanência nos governos deste outro grande estadista açoriano com um ou outro tique (coisa pouca) que também puxava para o lado dos comunas. Sim, estou a falar de Tio João Bosco. Na altura, não costa que o actual líder laranjinha se importasse com o assunto, por isso acho que esta chatice da coerência não fica muito bem vista no meio disto tudo.

Aliás a relação é tão clara que eu até me vou permitir fazer algo que não devia – vou cometer uma inconfidência, como é costume dizer-se. Em sonhos muito pouco húmidos, fui até ao gabinete do Palácio de Sant’Ana destinado ao Meritíssimo / Excelentíssimo / Reverendíssimo / Magnânimo / Grandioso / Todo Poderoso (qual é o que se usa nesta circunstância?) Presidente do Governo Regional e vi por lá pintado no tecto este fresco, cujo o autor não deverá ser desconecido, que representa o momento de transição de poder nos Açores. Tirei uma foto à socapa que aqui deixo em primeiríssima mão:


(clicanco fica mais maior grande)


Notas de rodapé:
1 – Sim, a montagem está ranhosa.
2
Sim, isto do baptismo não era bem com Deus, mas mais com aquele outro senhor que vem depois. Só que eu achei que ficava bem aqui.
3 – Sim, eu sei que entre Mota Amaral e Carlos César houve Madruga da Costa, mas agora não me quero preocupar com notas de rodapé.

domingo, 18 de fevereiro de 2007

O nível seguinte

Há por aí toda uma série de “notícias” cozinhadas pelas mentes mais ou menos brilhantes de uns quantos meninos ou meninas que dão pelo nome de assessores de imprensa. Qualquer artista desta especialidade que se preze deve saber dar a volta a uma notícia até ao ponto em que ela já nem seja algo digno de ser difundido por um órgão de comunicação social que queira fazer jus ao nome. No entanto, é precisamente este o ponto (ou a perspectiva) que favorece o político para quem estes malabaristas trabalham. (É basicamente esta a actividade a que os anglófonos chamam de spin, sendo os seus praticantes carinhosamente apelidados de spin doctors.)

É um trabalho sujo, por isso – e, sobretudo, pelos artistas serem amigos do político – é normalmente muito bem pago, ao ponto de alguns meninos e meninas que a ele se dedicam conseguirem sacar mais ao erário público do que alguns dos políticos para quem trabalham – o que é muito mau... para os políticos. A coisa atinge proporções tais que o político português com maior ego, também conhecido por cidadãe (não é gralha) Manuel Maria Carrilho, culpou estes tecelões de "notícias" pela sua derrota nas eleições para a câmara de Lisboa, num conjunto de folhas massajadoras do eco a que chamou Sob o Signo da Verdade (os spin doctors de Carmona & Companhia deviam ser mesmo muito bons, pois conseguiram impingir aos lisboetas uma bando de corruptos que só encontra paralelo... em quase todas as outras câmaras municipais do país).

Voltando à cold cow, toda esta converseta de chacha não é novidade alguma, mesmo para quem já só tenha um neurónio activo, como é o meu caso. Contudo, pode ser uma considerável lufada de ar fresco junto de quem já esgotou a sua reserva de neurónios, como os responsáveis editoriais da maioria dos órgãos de comunicação social. É que o consumidor de notícias (este jargão capitalista pode ser mais familiar a estas criaturas do que “leitor”, “ouvinte” ou “telespectador”) já está a ficar um pouquinho – mas só um pouquinho – farto de tanto lambe-botismo aos diversos poderes instalados. (Porra, esta última frase parece ter vindo da boca de Jerónimo de Sousa ou de Francisco Louçã – cruzes credo!) A este propósito veja-se a participação genial (o adjectivo não tem nada de irónico) de Jon Stewart (o senhor tipo que apresenta o Daily Show na Comedy Central e que passa em Portugal na SIC Radical) no programa da CNN Crossfire, onde ele basicamente... insulta os “jornalistas” e “comentadores” cheira-bufas que por aí pululam (a começar pelos próprios apresentadores do programa):



Chegados aqui, os dois leitores (o número já incluiu o meu cão) deste resíduo perigoso ilegalmente depositado a céu aberto já devem estar a duvidar daquilo que ainda agora acima escrevi quando disse que ainda tinha um neurónio activo: “Então, onde raio está o nível seguinte?” Ora, o nível seguinte só é alcançado pelos assessores dos políticos que nada fazem (OK, fazem umas viagens ao estrangeiro) e cuja utilidade a maioria dos portugueses ignora. “Mas isso não são todos os políticos?” Pois são, mas uns são mais do que os outros e é sobre estes que eu vou discorrer mais um pouco.

Absolutamente entediados pelo que não se passa no palácio onde Cavaco Silva vai obrar – e “obrar” aqui não é propriamente sinónimo de "trabalhar" –, os assessores de Cavaco devem ter sentido um chamamento do Olimpo da Comédia, tendo certamente sentido a necessidade de lançar para a Agência Lusa uma “notícia” com um título que só está ao alcance de mentes predestinadas para o humor (como os invejo!): “Zodíaco Chinês favorável a Cavaco”.

Num gesto de grande altruísmo, o Açoriano Oriental de hoje (18/02/07) decidiu partilhar com todos os seus leitores esta preciosidade do humor nacional. Contrariamente ao que o mais desprevenido leitor possa pensar, o mais antigo jornal português não limitou o assunto a uma mera nota de rodapé, antes atribuiu a esta “notícia” a maior parte da sua página (sim, é uma única página) dedicada às notícias de caracter nacional. Genial... mente mau!

Olha, mais um blogue...

Já antes tinha pensado em criar um blogue, mas uma coisa a que se costuma dar o nome de preguicite aguda me impedia de consumar tal desidrato. Como costuma acontecer nestes casos, só uma necessidade fisiológica de força maior é que me poderia impelir para a acção. E esta necessidade apareceu hoje pouco depois de acordar. Para melhor se compreender o que acabo de dizer, devo explicar que, de há uns quantos anos a esta parte, reservei um espaço no meu compartimento mental (se eu dissesse que tinha cérebro, alguns de vós poder-me-iam insultar, e com toda a razão) a que afectuosamente chamo de aterro sanitário mental. Lá guardo uma série de considerações pouco higiénicas sobre aquilo que leio, vejo e ouço por aí. Hoje, ao ler o título de uma “notícia” do mais antigo jornal português, comecei a processar mais alguma informação que se destinava a este aterro, quando subitamente sou surpreendido com a mensagem de que a sua capacidade se esgotara. A primeira reacção foi aumentar-lhe o espaço, mas depois constatei que isso poderia colocar em causa a minha já muito reduzida capacidade mental para processar informação (mais uma vez, não ia dizer que raciocino), pelo que lá tive de fazer o inevitável e criar este blogue, que mais não será do que uma lixeira a céu aberto – completamente ilegal, como convém –, onde depositarei alguns dos resíduos que doutra forma iriam parar ao aterro e para onde transferirei igualmente alguns dos conteúdos mais recentes deste mesmo aterro.